Mudar ou não mudar, eis a questão!

Início de ano sempre nos remete a novos planos para a vida pessoal e profissional. A maioria das pessoas chega a registrar em cartas e bilhetes os objetivos a serem realizados.

Quando penso nessa ânsia por transformação, me pergunto e fico sem resposta quanto à intrincada questão: Por que nós, seres humanos, resistimos tanto às mudanças? Por que esperamos uma data especial para planejarmos novos caminhos? Será que conseguimos realmente mudar apenas em situações-limite?

Ao observarmos amigos, familiares, empresas e até nós mesmos, reparamos que as adesões às mudanças geralmente acontecem em período de forte crise financeira ou de sofrimento emocional. Aí não há como resistir. Somos obrigados a nos adequar à nova realidade. A inexorabilidade leva-nos a transformar.

O que nos faz perder a racionalidade e a real dimensão das coisas? São situações que exigem nossa reação ao fato já consumado. Não temos opção. Essa resistência à mudança “voluntária”, própria da natureza humana, reproduz-se no mundo empresarial e as conseqüências podem deixar seqüelas.

Uma empresa não pode e não deve “mexer-se” apenas nos momentos de crise. Como bem definiu Heráclito: “Nada é permanente, salvo a mudança”. Portanto, o prioritário é agir e não reagir, sair da zona de conforto, avaliar o cenário, apontar e promover transformações. Apenas uma movimentação contínua e compromissada é capaz de evitar mudanças radicais forçadas pelas circunstâncias e favorecer as de pequena escala, que podem ser conduzidas com seriedade e envolvimento de toda a equipe. Isto porque em situações não-emergenciais temos alternativas de caminhos e de intensidade de mudança.

O objetivo de mudar precisa ser assumido pelo topo da pirâmide, com convicção e determinação, pois, como tão bem define a frase de Bernard Shaw, “aqueles que não conseguem mudar as suas mentes, não conseguem mudar nada”. O discurso deve andar lado a lado com a prática, caso contrário a mudança, um processo difícil para todos, cai no vazio, no descrédito, principalmente quando não há uma situação para impulsioná-la.

O que deve ser evitado a qualquer custo é a mudança que não muda. Novos – velhos – planejamentos baseados nos mesmos moldes de acomodação, porque, muitas vezes, o ato de mudar obedece a um ritual cênico, isto é, a organização apenas representa um processo de renovação. Protagonistas e coadjuvantes, consciente ou inconscientemente, participam de uma pantomima e a experiência mostra que, no fechar das cortinas, surgem conseqüências danosas. O ato de mudar perde o significado. A empresa entra numa espiral, na qual todos se esforçam para realizar mudanças que não transformam e, na próxima proposta similar, certamente, partirão do pressuposto das “representações anteriores”.

Acredito que a essência da mudança corporativa está na humildade científica, ou seja, no despojamento do poder pelo poder, da subordinação à coerência, na arte do saber ouvir e dialogar, enfim, no real compromisso com novos caminhos coletivos.

Feliz 2021, tempo de mudar a tempo !

Até a próxima Carta do Mês!

Denis Mello

Diretor-presidente

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