Não confunda delegar com deletar

delegar consultoria em marketingLivros, revistas e centenas de textos na internet trazem informações relacionadas ao tema “como delegar poder nas empresas”.

As avaliações geralmente se limitam a indicar “o que” e “para quem” delegar, ou seja, estão focadas na escolha dos tipos de compromissos que podem ser outorgadas e dos profissionais ideais para assumi-los. Tudo para evitar falhas que possam comprometer a gestão dos negócios e o bom funcionamento da empresa.

Em uma primeira avaliação, o processo parece simples, até meio mecânico. Basta seguir os passos indicados para alcançar o sucesso. Entretanto, a questão é mais complexa, porque um dos pontos fundamentais nem sempre é motivo de atenção ou discussão.

Trata-se da responsabilidade de quem delega. É não confundir delegação com omissão. Não se pode perder de vista que ao delegarmos estamos transmitindo para outra pessoa atividades e compromissos que estão e devem continuar sob nossa responsabilidade.

Muitas vezes, observa-se que, movidas pela força do mercado que enfatiza e estimula a descentralização e a gestão participativa, as empresas transformam a delegação, útil e necessária, em ato de entrega.

Quem já não ouviu, até em reuniões de diretoria, algo semelhante: “O assunto está entendido? A tarefa agora é sua! Quanto a mim, vou deletar”. Em princípio, pode parecer uma simples força de expressão, mas, no fundo, espelha o que vem acontecendo em alguns ambientes corporativos, nos quais as pessoas passam a trabalhar num sistema paralelo à orientação formal da empresa. Elas assumem cada qual a responsabilidade, agindo de maneira isolada.

A organização passa a depender de competências individuais, substituindo estratégias e ações coletivas, baseadas na inter-relação de funções e compromissos. Neste cenário, cria-se o culto à personalidade, no qual o indivíduo passa a ser insubstituível, já que uma determinada tarefa é de sua inteira e total responsabilidade.

A empresa passa a ser refém da ação individual. A partir daí, temos um processo de desintegração e fragmentação do poder, graças à pulverização das decisões e ausência de corresponsabilidade. A empresa perde a disciplina, os valores e, consequentemente, as estratégias tornam-se dispersas.

Nesse ambiente, não há unidade de parâmetros ou fio condutor e cada profissional dedica um esforço sobre-humano para construir uma obra da qual ele não conhece o projeto. E qual o principal sintoma para chegarmos a esse diagnóstico? Ausência de lideranças comprometidas em absorver modernas teorias de gestão de forma estruturada, pois os profissionais elegem prioridades a partir de critérios pessoais, que nem sempre estão alinhados com os objetivos e expectativas dos acionistas da organização.

Enfim, delegar é preciso, mas o sucesso de qualquer projeto quase sempre é o resultado de ações coletivas e integradas, o que, recordando palavras do escritor mexicano Doménico Cieri Estrada, pode trazer agradáveis surpresas e, entre elas, o surgimento de forças e oportunidades que não havíamos imaginado até então.

Até a próxima Carta do Mês!

Denis Mello

Diretor-presidente

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