Trocar a gravata pelo pijama

O maior modelo de ser humano que já passou pela terra, em minha opinião, disse que a “fé move montanhas” e que “todos devem amar o próximo como a si mesmos”. ELE também dizia que até em pensamento podemos pecar. Esse conceito do pensar ter o mesmo peso do ato em si sempre me chamou atenção na doutrina cristã.

Com o passar dos anos, como consultor, entendi que há várias aplicabilidades deste ensinamento profundo e filosófico, inclusive no mundo corporativo. Alguns empresários, em um determinado momento da vida, começam a pensar em se desfazer do negócio.

Os motivos são variados e conhecidos: os sobressaltos na economia, concorrência desleal, mercado saturado, queda da rentabilidade, ausência de sucessor, dívidas e até mesmo certo desencanto pela empresa. Alguns empresários fazem cálculos elementares: o mesmo capital investido em um banco daria maior rendimento do que o investido no negócio.

A partir desse raciocínio simplista, a venda da companhia acaba se tornando um sonho de consumo às avessas. O executivo não vê mais saída e passa a querer se livrar da empresa como se fosse um filho bastardo que não pediu para nascer, mas que faria um grande favor se simplesmente desaparecesse.

O mais trágico dessa história é que mais do que levitar no improvável, ele está fugindo de si mesmo. Afinal a empresa nasceu dele, do sonho dele, da presença de espírito e da disposição dele em crescer. Quando esse pensamento se torna convicção, o empresário perde o maior ativo da companhia: a capacidade de sonhar, de transpor barreiras e de superar obstáculos.

Na trajetória empreendedora quantos outros problemas aparentemente insolúveis ele já transpôs? Algumas corporações têm profissionais especializados em identificar organizações com problemas de gestão e, principalmente, empresários enfraquecidos pelo desânimo. Avaliam empresas pelo critério de fluxo de caixa e efetuam a compra por valores irrisórios. Colocam gestores competentes e a empresa renasce de maneira pujante.

Enquanto isso, o ex-empresário que entregou o negócio por bem menos do que valia inicia uma espécie de exílio social, vivendo uma espécie de depressão pós-venda.

Perdeu parte da identidade e deixou de ser a própria referência. Trocou a gravata pelo pijama e descobre que o dinheiro da venda tem vida curta, não vai poder manter o mesmo padrão de vida. Em breve, terá que começar um novo ciclo de venda: primeiro a casa da praia, depois o carro da esposa e assim por diante.

E tudo isso começou, porque um dia ele achou que a empresa não tinha mais saída e deixou de acreditar nela. Sinceramente, quando o empresário não vê mais luz no fim do túnel, o problema já está instalado. E talvez o obstáculo esteja nele.

Vi mais empresas caírem por causa dessa presunção do que por realmente estarem com problemas insolúveis.

As maiores histórias de sucesso e volta por cima aconteceram porque o empresário acreditou que podia reverter a situação, despiu-se da vaidade e cercou-se de gente boa. Ou seja, se o pensamento da venda da empresa tem sobrevoado a cabeça, não deixe que faça ninho ou contamine a alma.

Redescubra o espírito da fundação e renove a fé em si mesmo e no negócio.

Até a próxima carta do mês!

Denis Mello

Diretor-presidente

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